sábado, 24 de Março de 2012

Entrevista 4 a Guarda-Redes : Daniela Ribeiro (Poio Pescara)

Hoje em entrevista tenho Daniela Ribeiro, jovem guarda-redes portuguesa de 23 anos, que representa actualmente o Poio Pescamar Futbol Sala (Espanha). Começou a praticar futsal no CD Baguim do Monte em 2002, tendo no seu percurso já conquistado uma taça nacional portuguesa (campeonato) ao serviço da A.R. Restauradores Avintenses. Daniela Ribeiro já representou a Selecção de Portugal por 15 vezes. ( 3 vezes Selecção Nacional A e 12 vezes Selecção Nacional Universitária)

 JL - Como surgiu a sua paixão pelo futsal e especificamente pela baliza?
 DR- A paixão pelo futsal surgiu de uma brincadeira com uma amiga minha. Num projecto que nada lhe chamariam no início mas que nos levou ao campeonato distrital de juniores onde comecei a jogar e a conhecer a beleza do futsal. A verdade é que no primeiro treino que fui começou a nascer algo que até hoje é inexplicável. No futsal fui para a baliza por acaso mas a paixão não foi por acaso que surgiu. Antes de ingressar no futsal joguei vários anos Polo-Aquático onde era guarda-redes. A baliza era também o lugar que ocupava o meu primo, com que mais me dava, que fez crescer mais e mais esta imensa paixão pela posição que ocupo.

JL - Para si qual o ponto fundamental a trabalhar, no treino específico de GR, para uma melhor evolução? Porque?
DR- Não creio que haja um ponto mais importante no treino específico de guarda-redes. Isto porque cada coisa tem de ser trabalhada no seu tempo e em relação às características de cada atleta. O que me leva a atribuir mais significância nos treinos específicos, são as situações reais de jogo. Ou seja, penso que o trabalho deve ser elaborado em função do que pode acontecer nos jogos. Ao adaptar um plano de treino, podemos trabalhar tudo mas com esse principal sentido real de jogo. Porque muitas vezes o exercício em si desvia o seu objectivo principal.

JL - Acha fundamental os GR estarem integrados sempre nas aprendizagens tácticas? Porque?
DR- Embora, em teoria, o guarda-redes seja considerado o elemento "zero" tem sido cada vez mais requisitado nos esquemas tácticos. O treino em conjunto, na minha opinião, é fundamental. É essencial pleno conhecimento tático por parte do guarda-redes, por um lado porque é o "último" jogador e como tal poderá comunicar com a restante equipa com maior facilidade, por outro, é incluído nos sistemas táticos como qualquer outro jogador.


JL - Sabendo que em Portugal o treino especifico de GR é uma realidade ainda inexistente em muitos clubes amadores, que sugestões dá aos clubes sobre o treino especifico de GR?
DR- A ausência dos treinos de GR, a meu ver, pode fazer toda a diferença num campeonato. Todos sabemos que o GR desempenha um papel único e importantíssimo em jogo e como tal dever-lhe-ia ser atribuída a mesma importância nos treinos. A aposta neste campo, no ponto de vista, só traz vantagens. A análise do atleta, das suas características, erros e pontos positivos (entre muitas outras coisas) podem ajudar na elaboração de um simples treino com objectivos e que a seu tempo trará os seus benefícios em prol da equipa.

JL - Que sugestões dá aos jovens GR que iniciam o futsal actualmente?
DR- Que lutem. Que nunca desistam, ainda que surjam adversidades. A posição que ocupamos é única e imcomparável, mas nem sempre é fácil "lutar contra a maré". Se é o que realmente gostam imponham objectivos, sejam dedicados, sejam ambiciosos e nunca pensem que já sabem tudo. Querer sempre mais, querer aprender mais, faz-nos trabalhar ainda mais e com mais vontade. É assim que encaro cada dia, com vontade de aprender e trabalhar. Treinem, joguem, e a cima de tudo divirtam-se e desfrutem da posição e da modalidade que são extraordinárias.

JL - Na sua carreira, quais sãos os seus objectivos imediatos e a longo prazo?
DR- Neste momento continuar a trabalhar para ajudar a minha actual equipa, temos um objectivo e lutamos por ele até ao fim. Objectivos imediatos são criados constantemente que é tentar ganhar cada jogo que se aproxima e querer aprender faz parte do imediato e é a isso que me agarro.
Quanto a objectivos a longo prazo, quero especializar-me em treino de GR e expandir o conhecimento a esse nível. Quero aprender mais e um dia poder ajudar o desenvolvimento do treino de GR em Portugal, se a par conseguir compatibilizar a prática desportiva, pois será perfeito!

 JL - Agradeço a disponibilidade para a entrevista, desejando as maiores felicidades tanto pessoais, como desportivas.

João Lino



sexta-feira, 16 de Março de 2012

Entrevista 1 a Treinador de GR : Rafael Kiyasu (Santos FC)


Hoje em entrevista no meu blogue tenho o prazer de apresentar o treinador de Guarda-redes Rafael Kiyasu,  de 32 anos, actual treinador do  tão conhecido Santos FC (Brasil). Começou como treinador de guarda redes no AE SPY no ano de 2001, sendo que até hoje, para alem do Santos FC, já passou pelo Jabaquara AC, Clube Internacional de Regatas, SC Corinthians Paulista, conquistando mais de 10 títulos regionais, 5 campeonatos estaduais e no ultimo ano, a Liga Nacional do Brasil (2011).

JL - Como começou a sua experiência no futsal, mais propriamente no treino específico de Guarda-redes?
RK - A minha primeira experiência foi quando ainda estava no último ano do curso na Universidade Santa Cecília, na qual me estava formando em Educação física e Desporto, e recebi o convite de treinar os guarda redes da equipa de uma cidade pequena localizada na Baixada Santista chamada Itanhaém, a equipa de futsal chamava-se Associação Esportiva Spy, era treinada por Kleyton Lima, que posteriormente veio a ser o treinador de futebol da nossa selecção nacional feminina (Brasil). 
Nessa época ainda actuava como guarda redes no Santos, então fui conseguindo construir uma metodologia própria segundo as experiências que vivia nos jogos.

 JL - Quais as linhas condutoras da sua metodologia de treino? 
RK - Basicamente gosto de misturar algumas metodologias, como a cognitivista e a tecnicista, acredito que uma seja ótima para se treinar a inteligência e leitura de jogo,  a tomada de decisão,  a antecipação motora,  e a outra optimiza muito a execução dos gestos técnicos. Acredito que uma linha que saiba mesclar e utilizar os benefícios dessas duas metodologias seja de grande eficácia e garanta bons resultados tanto nas escolhas das atitudes a serem tomadas, frente aos problemas encontrados no jogo, como na perfeita execução dos gestos frente a decisão tomada no momento.
Actualmente tenho procurado cada vez mais respostas na área científica,  procurando maior controle e avaliação do treino possível, para a melhor planificação dos treinos.

  JL- Sabendo que a diversidade de material, utilizado em treino, aumenta a motivação dos guarda-redes, que materiais utiliza?
RK- As possibilidades de material são infinitas, desde bolas de ténis, borracha, balões, coletes, materiais de desvios, bolas de reacção, medicine ball, cones, marcadores, elásticos, etc. Porém devemos usar sempre o material não só como mecanismo motivacional, mas principalmente com objectivos específicos da tarefa, como mudança de atenção, concentração, reacção, propriocepção e  objectivos condicionantes, etc.
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         JL- Para si, existem diferenças entre o treino masculino e feminino? 
    RK- A meu ver existem sim, no Brasil devido  a factores culturais, as meninas começam a pratica desportiva devidamente sistematizada e planeada mais tarde, isto, faz com que a aprendizagem técnico e táctica delas comece de forma tardia, o que faz com que já iniciem a prática com vícios motores, portanto o treino delas além da aprendizagem, deve ter um alto índice de exercícios correctivos técnicos também.

      JL-  Como conhecedor do treino específico de guarda-redes em variados escalões de formação, que aspectos, dá maior importância nos escalões mais baixos? E nos escalões mais altos?
RK - Acho que os escalões baixos devem ter como prioridade o treinamento das capacidades coordenativas e cognitivas, pois são elas os fundamentos de uma boa pratica e performance no futuro. Além de todos os factores afectivos que devem ter nesses escalões, pois é de extrema importância que a pratica além de não ser massiva, seja atractiva aos menores, pois é importante que a pratica não seja imediatista  para que a criança permaneça na posição por um longo período e para isso ela deve gostar do que faz.
Já nos escalões mais altos, o treino das capacidades condicionantes passa a ser a prioridade, além dos treinos com alta complexidade cognitiva e situações de jogo adaptadas ao treino especifico.



 

    
JL - Quais as suas máximas enquanto treinador de guarda-redes? 
RK - Ser sempre honesto e verdadeiro com os guarda redes, sempre tornar o treino consciente, para que os atletas saibam o porque de cada pratica e entendam suas finalidades.

 JL - Quais os seus objectivos futuros?
RK - Actualmente estou planeando alguns cursos de formação e treino de guarda redes, quero levá-los ao máximo de lugares possíveis, distribuir e trocar  informações sobre a posição, tenho o desejo de actuar fora de meu país, organizar e planificar os treinos de guarda redes de alguma selecção nacional.

JL- Desde já agradecer a disponibilidade e simpatia pela entrevista , desejando-lhe as maiores felicidades no seu futuro pessoal e profissional. Abraço