segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Entrevista 3 a GR : João Vala ( AD Fundão)


Hoje em entrevista no meu blogue tenho o prazer de apresentar o guarda-redes João Vala, o jovem guarda-redes de 24 anos da equipa do Fundão, que ontem rubricou uma excelente exibição no jogo da 1ª divisão entre o Benfica e o Fundão, sendo elogiado pelo responsável do Benfica e comunicação social geral.  O João Vala começou a praticar futsal no Portomosense (Porto de Mós) e no seu currículo conta com um Campeonato Nacional Universitário em 2008 ao serviço da Universidade da Beira Interior e uma presença no Campeonato da Europa Universitário em 2008 na Polónia. De frisar também, que o João na ultima época alinhava no campeonato distrital de Castelo Branco, provando a todos, que também existe qualidade nos distritais e que as oportunidades a qualquer momento podem chegar.

Eis a entrevista:
 
JL - Como surgiu a sua paixão pelo futsal e especificamente pela baliza?
JV-  Esta paixão surgiu a cerca de 14 anos, quando comecei a praticar a modalidade no clube o Portomosense, a partir dessa época percebi logo que a posição que adorava jogar era à baliza. Desta forma ao longo dos anos fui trabalhando arduamente para a cada treino/jogo ser melhor, aproveitando todos os pequenos incentivos, quer da família quer de amigos que simpatizavam com a minha forma de encarar as situações fui crescendo como pessoa e como jogador, até chegar ao nível que cheguei. Parece-me benéfico realçar que a chave do sucesso será trabalhar, trabalhar, trabalhar, para cada dia ser melhor! 

JL-  Para si qual o ponto fundamental a trabalhar, no treino específico de GR, para uma melhor evolução? Porque?
JV-  Relativamente à questão que me faz, penso que existe um conjunto de pontos que são essenciais para formar um guarda-redes de futsal, não querendo dar importância a mais um ponto do que outro, acho que todos têm igual peso dentro da formação de um guarda-redes completo. Desta forma, pela minha experiência enquanto jogador, os pontos fundamentais de treino são, Posicionamento, deslocamento, os vários tipos de defesas, as quedas (posições dos apoios), reposições com as mãos e com os pés, saídas de baliza, treino das capacidades motoras (flexibilidade, força e resistência) e treino da destreza motora (coordenação, agilidade e velocidade). Se conseguirmos ter estas capacidades exploradas e em constante correlação temos com toda a certeza uma evolução sustentável e um futuro guarda-redes mais completo. 

JL- Acha fundamental os GR estarem integrados sempre nas aprendizagens tácticas? Porque?
JV-  Sim é fundamental, hoje em dia, com o carácter evolutivo que tem tido o futsal, em que a vertente táctica tem um peso muito importante na maioria dos jogos, será claro que cada vez mais o guarda-redes deve ser conhecedor de todas as movimentações tácticas que a equipa detêm, pois só assim poderá intervir no jogo de uma maneira activa e assertiva, com isto quero dizer que uma das componentes importantíssimas a trabalhar com o GR, será o seu envolvimento táctico, quer a nível de saídas de pressão, como a nível de modelo de jogo, pois será mais fácil para este antecipar qualquer erro e possível perigo para a sua baliza. 

JL - Sabendo que em Portugal o treino especifico de GR é uma realidade ainda inexistente em muitos clubes amadores, que sugestões dá aos clubes sobre o treino especifico de GR?
JV - Este é um facto que na minha opinião será bastante relevante intervir, pois qualquer guarda-redes que seja se não tiver um bom “professor”, que saiba onde deve intervir e em que momento deve intervir dificilmente crescerá dentro da sua posição. Relativamente a sugestões para os clubes, penso que em primeiro lugar devem ter um treinador especializado nesta área, se pelos mais diversos motivos não o poderem ter, devem dar formação aos treinadores que nesse momento estão nos clubes, podendo assim de certa forma melhorar a qualidade de treino para os guarda-redes. Se mesmo assim os treinadores não possuírem esta formação específica, penso que a melhor opção e os guarda-redes junto com os treinadores procurarem uma aprendizagem em grupo tentando evoluir juntos (forma de trabalho um pouco autónoma). 

JL - Que sugestões dá aos jovens GR que iniciam o futsal actualmente?
JV - Como referi anteriormente, o principal é o trabalho e a dedicação à modalidade. Em segundo  ser sempre humilde e aceitar como construtivas todas a criticas que nos são direccionadas e aproveita-las para crescer enquanto atleta. Em terceiro é o querer ser sempre melhor, ou seja, não se contentar com aquilo que se sabe, querer sempre aprender mais, pois levará a uma maior predisposição para aprendizagem. E por último apaixonar-se pela modalidade e deixar que isso nos envolva a 100%, para que se possa sentir as emoções na sua totalidade e assim tirar o maior proveito de cada momento.

JL - Na sua carreira, quais sãos os seus objectivos imediatos e a longo prazo?
JV-  Bem, a nível imediato penso que é crescer como atleta tornando-me um guarda-redes mais maduro, podendo assim, no futuro próximo ser opção do treinador e agarrar essa oportunidade com “unhas e dentes”. Relativamente aos objectivos a longo prazo, quero um dia ser campeão nacional, gostaria também de dedicar toda a minha atenção para esta modalidade e tornar-me profissional.


JL - É preciso referir que esta entrevista já foi realizada à algum tempo, mas tal como afirmas-te na entrevista, " no futuro próximo ser opção do treinador e agarrar essa oportunidade com “unhas e dentes”" ,  só me resta dizer, que disseste e cumpris-te! Mais uma vez quero dar-te os parabéns pela excelente exibição contra o Benfica, que embora para todos os que te conhecem, não tenha sido uma surpresa. A tua humildade, aliada à capacidade técnica e de trabalho, prova que quem acredita no seu valor e gosta do que faz, mais cedo ou mais tarde, têm a sua oportunidade. 

Grande Abraço

João Lino

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Entrevista 3 a GR: Sandra Ferreira ( GARECUS )



O futsal feminino está em crescimento em Portugal, algo que valorizo bastante, por isso, neste blogue existirá sempre mensalmente uma entrevista a alguém, ligada ao futsal feminino.

Começo pela jovem guarda-redes Sandra Ferreira, de 22 anos, que joga actualmente na equipa do  G.A.R.E.C.U.S, situada em Santiais, equipa pertencente ao Distrito de Leiria. Começou a sua prática no futsal na Freixianda em 2008, sendo que está época já conquistou a Taça do Torneio de Abertura do Distrito de Leiria.  

JL - Como surgiu a sua paixão pelo futsal e especificamente pela baliza?
SF- Bem, a paixão pelo Desporto em si, surgiu desde muito cedo, sendo que as aulas de Educação Física na escola, vieram ajudar ainda mais. Na escola primária, na hora do chamado “recreio”, eu era a única rapariga que ia jogar à bola com os rapazes e muitas vezes na baliza.
Os anos foram passando, mas o gosto pela bola continuando, e por vezes nem que fosse uns meros toques em casa já era muito bom. Depois, passaram-se mais uns anos, até à escola secundária, onde fui a única rapariga numa turma de rapazes, e onde nas aulas de futsal em Educação Física mais uma vez ia à baliza.
No ano 2008, mais propriamente à 4 anos, ouvi que ia haver uma equipa feminina na Freixianda, o Grupo Desportivo Freixianda (G.D.F.), onde surgiu o meu primeiro ano de futsal federada e onde comecei como jogadora (fixa, e no segundo ano, poucos jogos na posição de ala). Foram dois anos um pouco fraquinhos em termos de resultados, mas apesar dessas derrotas aprendi muita coisa com um grande grupo, com pessoas diferentes mas unidas, e um grande exemplo disso foi a capitã. O amor pelo futsal foi aumentando, e como costumo dizer,  “o futsal é o meu mundo aparte e se me tiram, é como se me tivessem a tirar um pouco de vida”.
Passado dois anos, chegou ao fim o Grupo Desportivo Freixianda e muitas perguntas, alguma tristeza surgiu na minha cabeça, pensando, que era o fim do futsal.
Havia uma equipa denominada G.A.R.E.C.U.S, situada em Santiais, equipa pertencente ao Distrito de Leiria(um distrito que gostava de ver como o futsal era trabalhado). Certo dia, fui mais duas amigas a uns treinos, acabamos por ir fazer um torneio de Verão no Louriçal. Até que, a g.r queria sair do futsal, e o treinador falou comigo se eu eventualmente não queria ser g.r, eu depois de muito pensar e de muita hesitação, porque não gostava muito de ir à baliza, só ia mais em torneios de Verão, mas acabei por aceitar, experimentar e inclusive fiquei a jogar na equipa. Mas até hoje, foi uma grande opção que tomei, apesar de por vezes não ser nada fácil ser-se guarda redes, mas é a melhor posição. Aprendi a gostar, a lidar com a pressão, a entender a alegria de fazer uma defesa, o cumprimentar, o festejar os golos com os postes/barra, tudo isto tem os seus significados que só quem é guarda redes entende, e que para muitos é de loucos.


JL- Para si qual o ponto fundamental a trabalhar, no treino específico de GR, para uma melhor evolução? Porque?
SF- O ponto fundamental principalmente, é o querer do próprio guarda redes, de trabalhar bem durante a semana, chegar aos dias dos jogos com descontracção e mantendo a calma.
Motivação também é um ponto bem forte e necessário, pois é preciso “levantar-nos” quando surge uma “queda”, momentos menos bons, pois eles também fazem parte. E isso serve também para um jogador, mas acima de tudo para um guarda redes, pois ele/ela é o espelho da equipa. É bom ter um treinador que trabalhe bem com eles/elas, mas ele não irá fazer milagres, grande parte do trabalho vem da vontade do próprio guarda redes. 

JL- Acha fundamental os GR estarem integrados sempre nas aprendizagens tácticas? Porque?
SF
- Acho extremamente importante o guarda redes saber as tácticas da equipa, pois é fundamental estar a par e enquadrado com os esquemas técnicos e tácticos da equipa, pois o futsal joga-se em grupo e não individualmente. Acima de tudo, o guarda redes é o que está de frente para o jogo, e para o sucesso grande parte começa na baliza.


JL - Sabendo que em Portugal o treino especifico de GR é uma realidade ainda inexistente em muitos clubes amadores, que sugestões dá aos clubes sobre o treino especifico de GR?
SF
- Na minha opinião e pessoalmente, no meu primeiro ano, e talvez devendo-se a ser a única guarda redes e a ser o meu primeiro ano como guarda redes, por mais que soubesse o básico para ir à baliza, tive o treinador que trabalhou comigo, onde nesse ano evolui consideravelmente. Actualmente, com mais duas guarda redes, o trabalho específico mantêm-se.
Mas acho que muitos clubes amadores não terem treino específico, deve-se a muitos treinadores em alguns casos não terem ninguém, tendo de ser eles a darem o treino aos guarda redes e jogadores, e muitas das vezes os guarda redes acabam por treinarem sozinhos. Por vezes, dá-se mais importância ao trabalho com os jogadores e consideram a posição de guarda redes como algo secundário, que não precisa tanto de ser trabalhada.

JL- Que sugestões dá aos jovens GR que iniciam o futsal actualmente?
SF
- A sugestão principal é que se realmente gostam de Desporto, mais concretamente de Futsal que lutem, embora o apoio por vezes seja escasso, mas a nossa força interior vale mais do que qualquer obstáculo que se atrevesse no nosso caminho. É muito difícil fazer disto uma vida é certo, mas se fizer por amor, por prazer, estarão automaticamente a criar um vosso outro mundo aparte. Quanto à posição de guarda redes, todos poderão ser guarda redes, mas não são todos os que conseguem perceber o fascínio de o ser, é preciso coragem acima de tudo, ser forte para aguentar alguma pressão que por vezes exista, nos momentos menos bons erguer sempre a cabeça, acreditar sempre que nós próprios valemos mais do que muitos o julgam. Encarar cada jogo com descontracção e concentração, e as “coisas” irão surgir naturalmente.

JL- Na sua carreira, quais sãos os seus objectivos imediatos e a longo prazo?
SF - Primeiramente, os meus objectivos imediatos, é ajudar a equipa que represento actualmente a chegar ao final do campeonato em primeiro lugar, sendo portanto campeã. Um pouco mais difícil mas não impossível ser campeã na Taça do Distrito. E se possível um dia, a Taça Nacional.
A longo prazo, e mantendo os pés bem assentes na terra como se costuma dizer, os meus maiores sonhos, jogar na Selecção Nacional, e no clube do meu coração, o Benfica. Ser a melhor guarda redes, e para isso é que quero e trabalharei sempre mais até ao auge das minhas forças.

JL- Agradeço a disponibilidade para a entrevista, desejando os maiores sucessos rumo aos teus sonhos.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Guarda-redes de Futsal

             


Nos ultimo 4 anos, trabalho no treino especifico de Guarda-redes, embora o meu futuro passe por treinador principal, é com enorme orgulho que desempenho esta função. Ainda sou um treinador bastante jovem, sendo que todas as areas que puder evoluir, será sempre importante para crescer na área e ter as ferramentas necessárias para entende-la de forma mais global.
Mas mais do que isto, trabalhar com esta posição especifica, fez-me apaixonar por ela.

Treino após treino os guarda-redes, são submetidos a um desgaste grande, a nível muscular e articular, devido aos movimentos específicos, de grande amplitude e intensidade a que são submetidos para evoluir. No dia seguinte, mesmo com o corpo todo dorido, lá estão eles para continuar o trabalho e a sua evolução no seu posto especifico.

A nível táctico, o guarda-redes terá que ser visto como uma peça fundamental no funcionamento dos momentos ofensivos e defensivos, isto é, ofensivamente o guarda-redes é mais uma linha de passe, normalmente segura, com a qual pode-se girar o jogo de flanco e desiquilibrar, apostar numa bola em profundidade, manter simplesmente a posse de bola ou atacar com 5 homens no meio campo ofensivo; a nível defensivo, o guarda-redes, pela sua posição espacial no campo, consegue ver toda a movimentação ofensiva do adversário e pode ajudar a ajustar toda a sua defensiva, sendo que esta leitura de jogo é fundamental, porque poderá antecipar o local onde o erro defensivo pode acontecer, aumentando e muito o sucesso da sua intervenção.

A nível psicológico o desgaste também é grande, um guarda-redes têm que estar sempre concentrado e têm que funcionar como um trampolim psicológico para a sua equipa, através da sua confiança, serenidade e capacidade de sacrifício. Embora, em muitos casos seja compreensível, e nunca esquecendo que os guarda-redes são seres humanos e não maquinas, os guarda-redes quando erram ou sofrem um golo, não podem ir abaixo,  isto é, ir abaixo é mostrar a ele mesmo fragilidade, diminuindo a sua confiança e a sua eficácia, é mostrar aos colegas de equipa, que esta abatido, tornando-os menos confiantes e tranquilos, e por fim, é indicar aos adversários a oportunidade de carregar no ataque e nos remates, aumentando a probabilidade de sofrer golos. Mesmo sofrendo o golo, o guarda-redes deverá ser o primeiro a pegar na bola e a atira-la para o meio campo, mostrando confiança na capacidade da equipa em mudar o rumo dos acontecimentos, levando a um contagio psicológico por parte dos colegas.

É importante olhar para os guarda-redes como um conjunto de factores importantes, para um bom desempenho, sendo que basta um deles não estar bem, para que, o guarda-redes não esteja tão confiante, atrasando-o na sua tomada de decisão e levando-o ao erro.

Por tudo isto, para mim, os guarda-redes são verdadeiros heróis dentro de uma equipa, sendo fundamentais para o sucesso da mesma.

Desde já quero agradecer estes vídeos da Selecção Nacional de Futsal, porque são uma optima forma de propaganda para o futsal.

                                                                                                                      João Lino

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Exercicios de Treino GR : 1- Deslocamento


Nesta primeira publicação de alguns exercícios de treino especifico de GR, irei publicar alguns exercícios que utilizo para trabalhar o deslocamento entre postes.

O DESLOCAMENTO pode-se definir como uma acção que partindo da posição básica, o guarda-redes desloca-se lateralmente sem cruzar os pés e sem encostar um pé no outro. Numa situação próxima de defesa, o deslocamento deve ser feito na ponta dos pés, facilitando o desequilíbrio do corpo para uma acção de defesa. A impulsão para o deslocamento é feita com a perna contrária ao deslocamento e em relação à baliza, deve descrever um trajecto de semicírculo entre um poste e outro. O deslocamento pode ser realizado de forma simples, lateral ou em saltitos na posição básica, depende da situação em que a acção se desenvolve.

Exercicio 1 : 
  •  Por exemplo quando se tem 4 GR, 2 podem deslocar-se em semi-circulo, sendo que um roda pela frente e o outro por trás, invertendo o sentido passados x segundos, realizando deslocamento segundo as regras de um bom deslocamento, com os braços em posição alta, sendo que aquando da passagem pelos postes, os outros 2 GR lhes fazem um passe com as mãos, em que os GR seguram e devolvem, continuando o deslocamento. Ao passar pelo zona centrar o Treinador faz um passe com o pé, em que o GR faz recepção e passe, alternando o pé de trabalho. 
Sugestão: 
Os GR que estão ao lado dos postes, podem efectuar os passes com as mãos, apoiados apenas num pé e com o joelho um pouco dobrado, realizando assim treino de fortalecimento em desequilibro (Treino Proprioceptivo)

Exercício 2 : 
  •   Com 4 GR, 2 podem deslocar-se em semi-circulo, sendo que um roda pela frente e o outro por trás, invertendo o sentido passados x segundos, realizando deslocamento segundo as regras de um bom deslocamento, com os braços em posição alta, sendo que a quando da passagem pelos postes,  avançam para a zona entre os cones, recebendo dos colegas um passe, ao qual, depois de fazer uma recepção, devolvem a bola, trabalhando no lado esquerdo passe e recepção de pé esquerdo e no lado direito o contrario. Ao passar pelo zona centrar o Treinador efectua um remate com o pé, em que o GR realiza defesa baixa, alternando o joelho que desce.
Exercício 3 : 
  •   Com 3 GR,  um executa deslocamento rápido poste a poste, tendo que tocar nas bolas que estão a ser seguradas pelos colegas junto aos postes, sendo que os colegas colocam a bola em varias zonas do poste (Cima, meio ou baixo) , sendo que o toque na bola poderá ser com as duas mãos ou com uma, tendo em conta o objectivo.
Sugestão:
Os GR que estão ao lado dos postes, a segurar a bola mais acima ou mais abaixo, poderão estar apoiados apenas num pé e com o joelho um pouco dobrado, realizando assim treino de fortalecimento em desequilibro (Treino Proprioceptivo)

Exercício 4 : 
  •   Com 3 GR,  um executa deslocamento rápido poste a poste, tendo que tocar nas bolas que estão a ser seguradas pelos colegas junto aos postes, sendo que os colegas colocam a bola em varias zonas do poste (Cima, meio ou baixo) , sendo que o toque na bola poderá ser com as duas mãos ou com uma, tendo em conta o objectivo. Após um numero pré estabelecido de toques, tendo em conta a intensidade que queremos aplicar, o GR avança até à zona dos cones, onde o treinador ou outro GR executa um remate, em que o GR tem que realizar defesa baixa, ou defesa em deslize, ou defesa média por exemplo.
Sugestão:
Os GR que estão ao lado dos postes, a segurar a bola mais acima ou mais abaixo, poderão estar apoiados apenas num pé e com o joelho um pouco dobrado, realizando assim treino de fortalecimento em desequilibro (Treino Proprioceptivo)

Exercício 5 : 
  •   Com 3 GR,  um executa deslocamento rápido poste a poste, tendo que tocar nas bolas que estão a ser seguradas pelos colegas junto aos postes, sendo que os colegas colocam a bola em varias zonas do poste (Cima, meio ou baixo) , sendo que o toque na bola poderá ser com as duas mãos ou com uma, tendo em conta o objectivo. Após um numero pré estabelecido de toques, tendo em conta a intensidade que queremos aplicar, o GR avança até à zona  onde esta o outro GR ou o Treinador, sendo que aí terá que segurar a bola em suspensão, tendo em conta sempre os limites da área e o colega que lhe irá dificultar a acção.
Sugestão:
Os GR que estão ao lado dos postes, a segurar a bola mais acima ou mais abaixo, poderão estar apoiados apenas num pé e com o joelho um pouco dobrado, realizando assim treino de fortalecimento em desequilibro (Treino Proprioceptivo)

Exercício 6 : 
  •   Com 3 GR,  um executa deslocamento rápido poste a poste, tendo que tocar nos balões (ou coletes) que estão  presos na trave da baliza, cada um com uma cor diferente. Fora da área estão os outros GR, com bolas, em zonas diferentes, sendo que cada um tem um numero especifico. O Treinador indica por exemplo " Vermelho -3 !! ", o GR terá que tocar primeiro no balão vermelho, depois no amarelo e depois defender uma bola que virá do GR 3.  


IMPORTANTE :

É importante referir que todos estes exercícios por si só não resolvem nada, todos os exercícios terão sempre que ser ajustados aquilo que pretendemos trabalhar, tendo em conta o contexto que cada um tem.
Por isso não indico definições importantes como por exemplo o numero de repetições ou a intensidade de cada exercício.
Todos estes exercícios podem servir como ponto de partida para outros, ajustando sempre o numero de intervenientes, tendo em conta o nosso contexto, mas a utilização de bancos, elásticos e  mais balões por exemplo, pode ser um excelente melhoramento deles.
Estes exercícios também tentam sempre trabalhar vários tipos de defesa, sendo que a rentabilização do tempo e a variância de movimentos, aproximando o contexto de jogo ao treino, são sempre  factores a ter em conta.

Bons Treinos!!

João Lino

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Entrevista 2 a GR : Nuno Malhoa


A minha segunda entrevista a Guarda-Redes de futsal no meu Blog pessoal, será ao  GR português Nuno Malhoa, que actualmente representa o Juventude Ouriense, que milita na 1ª Divisão Distrital de Santarém. O jovem GR de 25 anos, conta no seu currículo com 4  presenças pela selecção sub 19 de Santarém, sendo considerado  um dos melhores GR do distrito de Santarém, participando já em alguns dos jogos All-Stars, realizados no final da época.  
 
JL - Como surgiu a sua paixão pelo futsal e especificamente pela baliza?
NM - Surgiu de uma forma estranha, como não tinha muito jeito para jogar a frente e o bichinho do futebol era grande, então andei mais uns colegas a treinar no ringue do Clube Desportivo Vilarense, só para conseguir ser seleccionado nos treinos de captação. Felizmente assim começou a minha paixão pela baliza. Ganhei com muito trabalho e dedicação um gosto especial, festejando cada defesa como fosse um golo da minha equipa. Depois de 7 anos de futebol 11, tive um convite para fazer parte duma ideia nova, “criar” um clube de futsal, Juventude Ouriense. Aceitei e bendita a hora o fiz. E jogo futsal a 8, 9 anos e a paixão por o futsal é cada vez maior, ajudando-me a trabalhar e melhorar.

JL- Para si qual o ponto fundamental a trabalhar, no treino específico de GR, para uma melhor evolução? Porque?
NM- O ponto fundamental é preparar o guarda-redes como se fosse uma “máquina”, deixando os receios e medos, fora do jogo, com isto quero dizer que é importante trabalhar o psicológico como a vertente táctica e técnica. Porque a posição de guarda-redes é daquelas que um mínimo de fraqueza ou desconcentração é a “ morte do artista”. E o estado psicológico pode ser uma das principais qualidades dos guarda-redes, um exemplo disso é o nosso João Benedito, parece uma “rocha”, tal é o estado de frieza que ele apresenta em jogo, ajudando a escolher sempre as melhores opções. Passando uma confiança muito importante para a equipa. Infelizmente ainda se olha para o treino específico de guarda-redes como uma coisa secundaria.

JL- Acha fundamental os GR estarem integrados sempre nas aprendizagens tácticas? Porque?
NM- Acho que é muito importante, pois, o guarda-redes primeiro que tudo é um jogador de campo, só que tem uma função um pouco diferente do resto dos jogadores. Logo isso exige que saiba ler o jogo, as movimentações da equipa e qualquer nuance táctica executada pela sua equipa ou pela equipa contrária. Estas aprendizagens são tão importantes, porque ajudam ao guarda-redes a poder evitar erros cometidos pela equipa, como por exemplo, jogar mais adiantado numa situação de pressão. Infelizmente nem sempre os guarda-redes são integrados nas partes dos treinos que trabalham a vertente táctica.

JL- Sabendo que em Portugal o treino especifico de GR é uma realidade ainda inexistente em muitos clubes amadores, que sugestões dá aos clubes sobre o treino especifico de GR?


 NM- As sugestões que posso dar é que comecem a olhar mais para o treino específico de guarda-redes como uma coisa super importante. Infelizmente nem sempre é assim, sei bem o que é querer ter treino especifico e não ter. Sendo obrigado a trabalhar quase sozinho, reflectindo no que estava correcto e no que estava errado na minha forma de trabalhar e defender. Por isso apostem, já não digo muito, mas mais um pouco no treino específico desta posição muito importante em jogo.

JL- Que sugestões dá aos jovens GR que iniciam o futsal actualmente?
NM- Muito trabalho, dedicação, não desistam dos sonhos que têm e muita humildade, só assim conseguiram atingir os objectivos que ambicionam.

JL- Na sua carreira, quais sãos os seus objectivos imediatos e a longo prazo? 
NM- Primeiro que tudo, que o clube que represento, Juventude Ouriense consiga atingir a fase de apuramento de campeão. Depois a longo prazo é poder jogar ao mais alto nível, em divisões superiores. E quem sabe se um dia conseguirei isso…o sonho comanda a vida e vivo com esse lema a muitos anos e é como tudo, uma vez perdemos outra ganhamos. E claro sempre dedicando as minhas vitórias a um senhor, o meu pai, que infelizmente já não esta presente fisicamente, mas sei que olha por mim.
Para terminar queria agradecer ao meu amigo João Lino, o prazer de responder a esta entrevista, boa sorte na tua carreira e vida pessoal. Abraço

JL- Da minha parte resta retribuir os agradecimentos, esperando que continues fim semana, após fim semana, a mostrar a tua qualidade pelos pavilhões. Abraço