sábado, 24 de março de 2012

Entrevista 4 a Guarda-Redes : Daniela Ribeiro (Poio Pescara)

Hoje em entrevista tenho Daniela Ribeiro, jovem guarda-redes portuguesa de 23 anos, que representa actualmente o Poio Pescamar Futbol Sala (Espanha). Começou a praticar futsal no CD Baguim do Monte em 2002, tendo no seu percurso já conquistado uma taça nacional portuguesa (campeonato) ao serviço da A.R. Restauradores Avintenses. Daniela Ribeiro já representou a Selecção de Portugal por 15 vezes. ( 3 vezes Selecção Nacional A e 12 vezes Selecção Nacional Universitária)

 JL - Como surgiu a sua paixão pelo futsal e especificamente pela baliza?
 DR- A paixão pelo futsal surgiu de uma brincadeira com uma amiga minha. Num projecto que nada lhe chamariam no início mas que nos levou ao campeonato distrital de juniores onde comecei a jogar e a conhecer a beleza do futsal. A verdade é que no primeiro treino que fui começou a nascer algo que até hoje é inexplicável. No futsal fui para a baliza por acaso mas a paixão não foi por acaso que surgiu. Antes de ingressar no futsal joguei vários anos Polo-Aquático onde era guarda-redes. A baliza era também o lugar que ocupava o meu primo, com que mais me dava, que fez crescer mais e mais esta imensa paixão pela posição que ocupo.

JL - Para si qual o ponto fundamental a trabalhar, no treino específico de GR, para uma melhor evolução? Porque?
DR- Não creio que haja um ponto mais importante no treino específico de guarda-redes. Isto porque cada coisa tem de ser trabalhada no seu tempo e em relação às características de cada atleta. O que me leva a atribuir mais significância nos treinos específicos, são as situações reais de jogo. Ou seja, penso que o trabalho deve ser elaborado em função do que pode acontecer nos jogos. Ao adaptar um plano de treino, podemos trabalhar tudo mas com esse principal sentido real de jogo. Porque muitas vezes o exercício em si desvia o seu objectivo principal.

JL - Acha fundamental os GR estarem integrados sempre nas aprendizagens tácticas? Porque?
DR- Embora, em teoria, o guarda-redes seja considerado o elemento "zero" tem sido cada vez mais requisitado nos esquemas tácticos. O treino em conjunto, na minha opinião, é fundamental. É essencial pleno conhecimento tático por parte do guarda-redes, por um lado porque é o "último" jogador e como tal poderá comunicar com a restante equipa com maior facilidade, por outro, é incluído nos sistemas táticos como qualquer outro jogador.


JL - Sabendo que em Portugal o treino especifico de GR é uma realidade ainda inexistente em muitos clubes amadores, que sugestões dá aos clubes sobre o treino especifico de GR?
DR- A ausência dos treinos de GR, a meu ver, pode fazer toda a diferença num campeonato. Todos sabemos que o GR desempenha um papel único e importantíssimo em jogo e como tal dever-lhe-ia ser atribuída a mesma importância nos treinos. A aposta neste campo, no ponto de vista, só traz vantagens. A análise do atleta, das suas características, erros e pontos positivos (entre muitas outras coisas) podem ajudar na elaboração de um simples treino com objectivos e que a seu tempo trará os seus benefícios em prol da equipa.

JL - Que sugestões dá aos jovens GR que iniciam o futsal actualmente?
DR- Que lutem. Que nunca desistam, ainda que surjam adversidades. A posição que ocupamos é única e imcomparável, mas nem sempre é fácil "lutar contra a maré". Se é o que realmente gostam imponham objectivos, sejam dedicados, sejam ambiciosos e nunca pensem que já sabem tudo. Querer sempre mais, querer aprender mais, faz-nos trabalhar ainda mais e com mais vontade. É assim que encaro cada dia, com vontade de aprender e trabalhar. Treinem, joguem, e a cima de tudo divirtam-se e desfrutem da posição e da modalidade que são extraordinárias.

JL - Na sua carreira, quais sãos os seus objectivos imediatos e a longo prazo?
DR- Neste momento continuar a trabalhar para ajudar a minha actual equipa, temos um objectivo e lutamos por ele até ao fim. Objectivos imediatos são criados constantemente que é tentar ganhar cada jogo que se aproxima e querer aprender faz parte do imediato e é a isso que me agarro.
Quanto a objectivos a longo prazo, quero especializar-me em treino de GR e expandir o conhecimento a esse nível. Quero aprender mais e um dia poder ajudar o desenvolvimento do treino de GR em Portugal, se a par conseguir compatibilizar a prática desportiva, pois será perfeito!

 JL - Agradeço a disponibilidade para a entrevista, desejando as maiores felicidades tanto pessoais, como desportivas.

João Lino



sexta-feira, 16 de março de 2012

Entrevista 1 a Treinador de GR : Rafael Kiyasu (Santos FC)


Hoje em entrevista no meu blogue tenho o prazer de apresentar o treinador de Guarda-redes Rafael Kiyasu,  de 32 anos, actual treinador do  tão conhecido Santos FC (Brasil). Começou como treinador de guarda redes no AE SPY no ano de 2001, sendo que até hoje, para alem do Santos FC, já passou pelo Jabaquara AC, Clube Internacional de Regatas, SC Corinthians Paulista, conquistando mais de 10 títulos regionais, 5 campeonatos estaduais e no ultimo ano, a Liga Nacional do Brasil (2011).

JL - Como começou a sua experiência no futsal, mais propriamente no treino específico de Guarda-redes?
RK - A minha primeira experiência foi quando ainda estava no último ano do curso na Universidade Santa Cecília, na qual me estava formando em Educação física e Desporto, e recebi o convite de treinar os guarda redes da equipa de uma cidade pequena localizada na Baixada Santista chamada Itanhaém, a equipa de futsal chamava-se Associação Esportiva Spy, era treinada por Kleyton Lima, que posteriormente veio a ser o treinador de futebol da nossa selecção nacional feminina (Brasil). 
Nessa época ainda actuava como guarda redes no Santos, então fui conseguindo construir uma metodologia própria segundo as experiências que vivia nos jogos.

 JL - Quais as linhas condutoras da sua metodologia de treino? 
RK - Basicamente gosto de misturar algumas metodologias, como a cognitivista e a tecnicista, acredito que uma seja ótima para se treinar a inteligência e leitura de jogo,  a tomada de decisão,  a antecipação motora,  e a outra optimiza muito a execução dos gestos técnicos. Acredito que uma linha que saiba mesclar e utilizar os benefícios dessas duas metodologias seja de grande eficácia e garanta bons resultados tanto nas escolhas das atitudes a serem tomadas, frente aos problemas encontrados no jogo, como na perfeita execução dos gestos frente a decisão tomada no momento.
Actualmente tenho procurado cada vez mais respostas na área científica,  procurando maior controle e avaliação do treino possível, para a melhor planificação dos treinos.

  JL- Sabendo que a diversidade de material, utilizado em treino, aumenta a motivação dos guarda-redes, que materiais utiliza?
RK- As possibilidades de material são infinitas, desde bolas de ténis, borracha, balões, coletes, materiais de desvios, bolas de reacção, medicine ball, cones, marcadores, elásticos, etc. Porém devemos usar sempre o material não só como mecanismo motivacional, mas principalmente com objectivos específicos da tarefa, como mudança de atenção, concentração, reacção, propriocepção e  objectivos condicionantes, etc.
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         JL- Para si, existem diferenças entre o treino masculino e feminino? 
    RK- A meu ver existem sim, no Brasil devido  a factores culturais, as meninas começam a pratica desportiva devidamente sistematizada e planeada mais tarde, isto, faz com que a aprendizagem técnico e táctica delas comece de forma tardia, o que faz com que já iniciem a prática com vícios motores, portanto o treino delas além da aprendizagem, deve ter um alto índice de exercícios correctivos técnicos também.

      JL-  Como conhecedor do treino específico de guarda-redes em variados escalões de formação, que aspectos, dá maior importância nos escalões mais baixos? E nos escalões mais altos?
RK - Acho que os escalões baixos devem ter como prioridade o treinamento das capacidades coordenativas e cognitivas, pois são elas os fundamentos de uma boa pratica e performance no futuro. Além de todos os factores afectivos que devem ter nesses escalões, pois é de extrema importância que a pratica além de não ser massiva, seja atractiva aos menores, pois é importante que a pratica não seja imediatista  para que a criança permaneça na posição por um longo período e para isso ela deve gostar do que faz.
Já nos escalões mais altos, o treino das capacidades condicionantes passa a ser a prioridade, além dos treinos com alta complexidade cognitiva e situações de jogo adaptadas ao treino especifico.



 

    
JL - Quais as suas máximas enquanto treinador de guarda-redes? 
RK - Ser sempre honesto e verdadeiro com os guarda redes, sempre tornar o treino consciente, para que os atletas saibam o porque de cada pratica e entendam suas finalidades.

 JL - Quais os seus objectivos futuros?
RK - Actualmente estou planeando alguns cursos de formação e treino de guarda redes, quero levá-los ao máximo de lugares possíveis, distribuir e trocar  informações sobre a posição, tenho o desejo de actuar fora de meu país, organizar e planificar os treinos de guarda redes de alguma selecção nacional.

JL- Desde já agradecer a disponibilidade e simpatia pela entrevista , desejando-lhe as maiores felicidades no seu futuro pessoal e profissional. Abraço
 
            

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Entrevista 3 a GR : João Vala ( AD Fundão)


Hoje em entrevista no meu blogue tenho o prazer de apresentar o guarda-redes João Vala, o jovem guarda-redes de 24 anos da equipa do Fundão, que ontem rubricou uma excelente exibição no jogo da 1ª divisão entre o Benfica e o Fundão, sendo elogiado pelo responsável do Benfica e comunicação social geral.  O João Vala começou a praticar futsal no Portomosense (Porto de Mós) e no seu currículo conta com um Campeonato Nacional Universitário em 2008 ao serviço da Universidade da Beira Interior e uma presença no Campeonato da Europa Universitário em 2008 na Polónia. De frisar também, que o João na ultima época alinhava no campeonato distrital de Castelo Branco, provando a todos, que também existe qualidade nos distritais e que as oportunidades a qualquer momento podem chegar.

Eis a entrevista:
 
JL - Como surgiu a sua paixão pelo futsal e especificamente pela baliza?
JV-  Esta paixão surgiu a cerca de 14 anos, quando comecei a praticar a modalidade no clube o Portomosense, a partir dessa época percebi logo que a posição que adorava jogar era à baliza. Desta forma ao longo dos anos fui trabalhando arduamente para a cada treino/jogo ser melhor, aproveitando todos os pequenos incentivos, quer da família quer de amigos que simpatizavam com a minha forma de encarar as situações fui crescendo como pessoa e como jogador, até chegar ao nível que cheguei. Parece-me benéfico realçar que a chave do sucesso será trabalhar, trabalhar, trabalhar, para cada dia ser melhor! 

JL-  Para si qual o ponto fundamental a trabalhar, no treino específico de GR, para uma melhor evolução? Porque?
JV-  Relativamente à questão que me faz, penso que existe um conjunto de pontos que são essenciais para formar um guarda-redes de futsal, não querendo dar importância a mais um ponto do que outro, acho que todos têm igual peso dentro da formação de um guarda-redes completo. Desta forma, pela minha experiência enquanto jogador, os pontos fundamentais de treino são, Posicionamento, deslocamento, os vários tipos de defesas, as quedas (posições dos apoios), reposições com as mãos e com os pés, saídas de baliza, treino das capacidades motoras (flexibilidade, força e resistência) e treino da destreza motora (coordenação, agilidade e velocidade). Se conseguirmos ter estas capacidades exploradas e em constante correlação temos com toda a certeza uma evolução sustentável e um futuro guarda-redes mais completo. 

JL- Acha fundamental os GR estarem integrados sempre nas aprendizagens tácticas? Porque?
JV-  Sim é fundamental, hoje em dia, com o carácter evolutivo que tem tido o futsal, em que a vertente táctica tem um peso muito importante na maioria dos jogos, será claro que cada vez mais o guarda-redes deve ser conhecedor de todas as movimentações tácticas que a equipa detêm, pois só assim poderá intervir no jogo de uma maneira activa e assertiva, com isto quero dizer que uma das componentes importantíssimas a trabalhar com o GR, será o seu envolvimento táctico, quer a nível de saídas de pressão, como a nível de modelo de jogo, pois será mais fácil para este antecipar qualquer erro e possível perigo para a sua baliza. 

JL - Sabendo que em Portugal o treino especifico de GR é uma realidade ainda inexistente em muitos clubes amadores, que sugestões dá aos clubes sobre o treino especifico de GR?
JV - Este é um facto que na minha opinião será bastante relevante intervir, pois qualquer guarda-redes que seja se não tiver um bom “professor”, que saiba onde deve intervir e em que momento deve intervir dificilmente crescerá dentro da sua posição. Relativamente a sugestões para os clubes, penso que em primeiro lugar devem ter um treinador especializado nesta área, se pelos mais diversos motivos não o poderem ter, devem dar formação aos treinadores que nesse momento estão nos clubes, podendo assim de certa forma melhorar a qualidade de treino para os guarda-redes. Se mesmo assim os treinadores não possuírem esta formação específica, penso que a melhor opção e os guarda-redes junto com os treinadores procurarem uma aprendizagem em grupo tentando evoluir juntos (forma de trabalho um pouco autónoma). 

JL - Que sugestões dá aos jovens GR que iniciam o futsal actualmente?
JV - Como referi anteriormente, o principal é o trabalho e a dedicação à modalidade. Em segundo  ser sempre humilde e aceitar como construtivas todas a criticas que nos são direccionadas e aproveita-las para crescer enquanto atleta. Em terceiro é o querer ser sempre melhor, ou seja, não se contentar com aquilo que se sabe, querer sempre aprender mais, pois levará a uma maior predisposição para aprendizagem. E por último apaixonar-se pela modalidade e deixar que isso nos envolva a 100%, para que se possa sentir as emoções na sua totalidade e assim tirar o maior proveito de cada momento.

JL - Na sua carreira, quais sãos os seus objectivos imediatos e a longo prazo?
JV-  Bem, a nível imediato penso que é crescer como atleta tornando-me um guarda-redes mais maduro, podendo assim, no futuro próximo ser opção do treinador e agarrar essa oportunidade com “unhas e dentes”. Relativamente aos objectivos a longo prazo, quero um dia ser campeão nacional, gostaria também de dedicar toda a minha atenção para esta modalidade e tornar-me profissional.


JL - É preciso referir que esta entrevista já foi realizada à algum tempo, mas tal como afirmas-te na entrevista, " no futuro próximo ser opção do treinador e agarrar essa oportunidade com “unhas e dentes”" ,  só me resta dizer, que disseste e cumpris-te! Mais uma vez quero dar-te os parabéns pela excelente exibição contra o Benfica, que embora para todos os que te conhecem, não tenha sido uma surpresa. A tua humildade, aliada à capacidade técnica e de trabalho, prova que quem acredita no seu valor e gosta do que faz, mais cedo ou mais tarde, têm a sua oportunidade. 

Grande Abraço

João Lino

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Entrevista 3 a GR: Sandra Ferreira ( GARECUS )



O futsal feminino está em crescimento em Portugal, algo que valorizo bastante, por isso, neste blogue existirá sempre mensalmente uma entrevista a alguém, ligada ao futsal feminino.

Começo pela jovem guarda-redes Sandra Ferreira, de 22 anos, que joga actualmente na equipa do  G.A.R.E.C.U.S, situada em Santiais, equipa pertencente ao Distrito de Leiria. Começou a sua prática no futsal na Freixianda em 2008, sendo que está época já conquistou a Taça do Torneio de Abertura do Distrito de Leiria.  

JL - Como surgiu a sua paixão pelo futsal e especificamente pela baliza?
SF- Bem, a paixão pelo Desporto em si, surgiu desde muito cedo, sendo que as aulas de Educação Física na escola, vieram ajudar ainda mais. Na escola primária, na hora do chamado “recreio”, eu era a única rapariga que ia jogar à bola com os rapazes e muitas vezes na baliza.
Os anos foram passando, mas o gosto pela bola continuando, e por vezes nem que fosse uns meros toques em casa já era muito bom. Depois, passaram-se mais uns anos, até à escola secundária, onde fui a única rapariga numa turma de rapazes, e onde nas aulas de futsal em Educação Física mais uma vez ia à baliza.
No ano 2008, mais propriamente à 4 anos, ouvi que ia haver uma equipa feminina na Freixianda, o Grupo Desportivo Freixianda (G.D.F.), onde surgiu o meu primeiro ano de futsal federada e onde comecei como jogadora (fixa, e no segundo ano, poucos jogos na posição de ala). Foram dois anos um pouco fraquinhos em termos de resultados, mas apesar dessas derrotas aprendi muita coisa com um grande grupo, com pessoas diferentes mas unidas, e um grande exemplo disso foi a capitã. O amor pelo futsal foi aumentando, e como costumo dizer,  “o futsal é o meu mundo aparte e se me tiram, é como se me tivessem a tirar um pouco de vida”.
Passado dois anos, chegou ao fim o Grupo Desportivo Freixianda e muitas perguntas, alguma tristeza surgiu na minha cabeça, pensando, que era o fim do futsal.
Havia uma equipa denominada G.A.R.E.C.U.S, situada em Santiais, equipa pertencente ao Distrito de Leiria(um distrito que gostava de ver como o futsal era trabalhado). Certo dia, fui mais duas amigas a uns treinos, acabamos por ir fazer um torneio de Verão no Louriçal. Até que, a g.r queria sair do futsal, e o treinador falou comigo se eu eventualmente não queria ser g.r, eu depois de muito pensar e de muita hesitação, porque não gostava muito de ir à baliza, só ia mais em torneios de Verão, mas acabei por aceitar, experimentar e inclusive fiquei a jogar na equipa. Mas até hoje, foi uma grande opção que tomei, apesar de por vezes não ser nada fácil ser-se guarda redes, mas é a melhor posição. Aprendi a gostar, a lidar com a pressão, a entender a alegria de fazer uma defesa, o cumprimentar, o festejar os golos com os postes/barra, tudo isto tem os seus significados que só quem é guarda redes entende, e que para muitos é de loucos.


JL- Para si qual o ponto fundamental a trabalhar, no treino específico de GR, para uma melhor evolução? Porque?
SF- O ponto fundamental principalmente, é o querer do próprio guarda redes, de trabalhar bem durante a semana, chegar aos dias dos jogos com descontracção e mantendo a calma.
Motivação também é um ponto bem forte e necessário, pois é preciso “levantar-nos” quando surge uma “queda”, momentos menos bons, pois eles também fazem parte. E isso serve também para um jogador, mas acima de tudo para um guarda redes, pois ele/ela é o espelho da equipa. É bom ter um treinador que trabalhe bem com eles/elas, mas ele não irá fazer milagres, grande parte do trabalho vem da vontade do próprio guarda redes. 

JL- Acha fundamental os GR estarem integrados sempre nas aprendizagens tácticas? Porque?
SF
- Acho extremamente importante o guarda redes saber as tácticas da equipa, pois é fundamental estar a par e enquadrado com os esquemas técnicos e tácticos da equipa, pois o futsal joga-se em grupo e não individualmente. Acima de tudo, o guarda redes é o que está de frente para o jogo, e para o sucesso grande parte começa na baliza.


JL - Sabendo que em Portugal o treino especifico de GR é uma realidade ainda inexistente em muitos clubes amadores, que sugestões dá aos clubes sobre o treino especifico de GR?
SF
- Na minha opinião e pessoalmente, no meu primeiro ano, e talvez devendo-se a ser a única guarda redes e a ser o meu primeiro ano como guarda redes, por mais que soubesse o básico para ir à baliza, tive o treinador que trabalhou comigo, onde nesse ano evolui consideravelmente. Actualmente, com mais duas guarda redes, o trabalho específico mantêm-se.
Mas acho que muitos clubes amadores não terem treino específico, deve-se a muitos treinadores em alguns casos não terem ninguém, tendo de ser eles a darem o treino aos guarda redes e jogadores, e muitas das vezes os guarda redes acabam por treinarem sozinhos. Por vezes, dá-se mais importância ao trabalho com os jogadores e consideram a posição de guarda redes como algo secundário, que não precisa tanto de ser trabalhada.

JL- Que sugestões dá aos jovens GR que iniciam o futsal actualmente?
SF
- A sugestão principal é que se realmente gostam de Desporto, mais concretamente de Futsal que lutem, embora o apoio por vezes seja escasso, mas a nossa força interior vale mais do que qualquer obstáculo que se atrevesse no nosso caminho. É muito difícil fazer disto uma vida é certo, mas se fizer por amor, por prazer, estarão automaticamente a criar um vosso outro mundo aparte. Quanto à posição de guarda redes, todos poderão ser guarda redes, mas não são todos os que conseguem perceber o fascínio de o ser, é preciso coragem acima de tudo, ser forte para aguentar alguma pressão que por vezes exista, nos momentos menos bons erguer sempre a cabeça, acreditar sempre que nós próprios valemos mais do que muitos o julgam. Encarar cada jogo com descontracção e concentração, e as “coisas” irão surgir naturalmente.

JL- Na sua carreira, quais sãos os seus objectivos imediatos e a longo prazo?
SF - Primeiramente, os meus objectivos imediatos, é ajudar a equipa que represento actualmente a chegar ao final do campeonato em primeiro lugar, sendo portanto campeã. Um pouco mais difícil mas não impossível ser campeã na Taça do Distrito. E se possível um dia, a Taça Nacional.
A longo prazo, e mantendo os pés bem assentes na terra como se costuma dizer, os meus maiores sonhos, jogar na Selecção Nacional, e no clube do meu coração, o Benfica. Ser a melhor guarda redes, e para isso é que quero e trabalharei sempre mais até ao auge das minhas forças.

JL- Agradeço a disponibilidade para a entrevista, desejando os maiores sucessos rumo aos teus sonhos.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Guarda-redes de Futsal

             


Nos ultimo 4 anos, trabalho no treino especifico de Guarda-redes, embora o meu futuro passe por treinador principal, é com enorme orgulho que desempenho esta função. Ainda sou um treinador bastante jovem, sendo que todas as areas que puder evoluir, será sempre importante para crescer na área e ter as ferramentas necessárias para entende-la de forma mais global.
Mas mais do que isto, trabalhar com esta posição especifica, fez-me apaixonar por ela.

Treino após treino os guarda-redes, são submetidos a um desgaste grande, a nível muscular e articular, devido aos movimentos específicos, de grande amplitude e intensidade a que são submetidos para evoluir. No dia seguinte, mesmo com o corpo todo dorido, lá estão eles para continuar o trabalho e a sua evolução no seu posto especifico.

A nível táctico, o guarda-redes terá que ser visto como uma peça fundamental no funcionamento dos momentos ofensivos e defensivos, isto é, ofensivamente o guarda-redes é mais uma linha de passe, normalmente segura, com a qual pode-se girar o jogo de flanco e desiquilibrar, apostar numa bola em profundidade, manter simplesmente a posse de bola ou atacar com 5 homens no meio campo ofensivo; a nível defensivo, o guarda-redes, pela sua posição espacial no campo, consegue ver toda a movimentação ofensiva do adversário e pode ajudar a ajustar toda a sua defensiva, sendo que esta leitura de jogo é fundamental, porque poderá antecipar o local onde o erro defensivo pode acontecer, aumentando e muito o sucesso da sua intervenção.

A nível psicológico o desgaste também é grande, um guarda-redes têm que estar sempre concentrado e têm que funcionar como um trampolim psicológico para a sua equipa, através da sua confiança, serenidade e capacidade de sacrifício. Embora, em muitos casos seja compreensível, e nunca esquecendo que os guarda-redes são seres humanos e não maquinas, os guarda-redes quando erram ou sofrem um golo, não podem ir abaixo,  isto é, ir abaixo é mostrar a ele mesmo fragilidade, diminuindo a sua confiança e a sua eficácia, é mostrar aos colegas de equipa, que esta abatido, tornando-os menos confiantes e tranquilos, e por fim, é indicar aos adversários a oportunidade de carregar no ataque e nos remates, aumentando a probabilidade de sofrer golos. Mesmo sofrendo o golo, o guarda-redes deverá ser o primeiro a pegar na bola e a atira-la para o meio campo, mostrando confiança na capacidade da equipa em mudar o rumo dos acontecimentos, levando a um contagio psicológico por parte dos colegas.

É importante olhar para os guarda-redes como um conjunto de factores importantes, para um bom desempenho, sendo que basta um deles não estar bem, para que, o guarda-redes não esteja tão confiante, atrasando-o na sua tomada de decisão e levando-o ao erro.

Por tudo isto, para mim, os guarda-redes são verdadeiros heróis dentro de uma equipa, sendo fundamentais para o sucesso da mesma.

Desde já quero agradecer estes vídeos da Selecção Nacional de Futsal, porque são uma optima forma de propaganda para o futsal.

                                                                                                                      João Lino