sábado, 11 de agosto de 2012

CD Fátima Futsal sobe à 3ª Divisão Nacional

CD FÁTIMA FUTSAL NA 3ª DIVISÃO NACIONAL - ÉPOCA 2012\2013

Pelo motivo de desistências de algumas equipas que militavam nos campeonatos nacionais, nesta época que agora terminou, o 2º classificado do campeonato distrital Futsal de Santarém, também subiu de divisão. Assim sendo, o CD Fátima junta-se ao Achete, na representação do distrito de Santarém na 3ª divisão Nacional!

Um novo e exigente desafio, no qual contamos com o apoio dos nossos grandes adeptos!

Resumo da época 2011/2012


 Na época de 2011/2012 iniciei no UD Pinheiro e Cabiçalva, uma experiencia curta (3 meses), mas que me deixou satisfeito pelo trabalho que até la desenvolvemos, em 3 meses construímos uma equipa competitiva, melhoramos as condições de treino, melhoramos a imagem exterior do clube, modernizamos o símbolo do clube, criamos um departamento médico, colocamos em média o pavilhão do pinheiro nos jogos com meia casa, isto é, satisfeito com o que realizamos. A minha saída acontece simplesmente porque neste clube com óptimas condições, ao nível directivo, existem algumas pessoas que faltaram com a palavra e quando assim é, não vale mesmo a pena! Mas as pessoas passam e o clube fica, melhores dias hão-de vir para este clube certamente. Agradeço a todos os que confiaram em mim neste projecto.

Poucos dias depois assinei pelo CD Fátima como treinador adjunto e de guarda-redes, clube que me recebeu de forma excelente, que me integrou e motivou a desenvolver o meu trabalho. Encontrei um treinador que valorizou o meu trabalho, jogadores com maturidade e muita qualidade e um clube estável e serio a nível directivo. A nível desportivo a época, embora não tenhamos conseguido ser campeões distritais como ambicionávamos, conquistamos o segundo lugar a 3 pontos do líder e consequente subida de divisão (3ª divisão nacional), numa época onde desistiram varias equipas dos nacionais. Na Taça Distrital de Santarém chegamos à final, perdendo por 4-3 contra Os Patos. Em todas as competições oficiais o CD Fátima disputou 37 jogos, onde conseguiu 28 vitórias, 2 empates e averbou 7 derrotas, marcou 175 golos e sofreu 85 golos.
Agradeço a todos aqueles que trabalharam comigo nas equipas técnicas, aos jogadores, aos dirigentes e a todas as pessoas que sempre me apoiaram ao longo da época. Obrigado!

sexta-feira, 27 de abril de 2012

Modelo tradicional (Analítico) vs Modelo Ensino para a Compreensão (contexto de jogo)


                          


Modelo tradicional (Analítico) vs Modelo Ensino para a Compreensão (contexto de jogo)

O modelo tradicional baseia-se no ensino da técnica, e na táctica ao serviço desta. Ensinando em termos práticos apenas a técnica e em situações analíticas, do simples para o complexo e pressupõe que para ser possível praticar o jogo real é necessário ter um conjunto de técnicas previamente adquiridas, deixando a táctica apenas para um plano teórico e individual. Este modelo considera que se cada jogador detiver as técnicas individuais adquiridas na perfeição, basta juntá-lo com jogadores que também as tenham para construir uma equipa que em todas as vertentes do jogo conseguirá responder de acordo às necessidades e assim ultrapassa-las. O feedback é ordenativo, ou seja, o jogador tem que fazer exactamente o que o treinador lhe transmite, sem que o seu próprio julgamento seja incluído na escolha do acto a efectuar (tomada de decisão), o que não propicia a recolha dos indicadores mais pertinentes, sendo assim o ajuste a mando do treinador, ou executado por pré-definição, o que leva a que o orientado a não se ajustar por vontade própria, o que leva a uma menor afinação, menos possibilidades de acção, que são apenas aquelas as que se encontram gravadas na memória (que podem não ser as mais ajustadas à situação), diminuindo assim a calibração deste.

O Modelo de Ensino para a Compreensão centra-se na táctica e ensina as técnicas conforme as necessidades dos jogadores, ou seja, em contexto dinâmico (de jogo) os jogadores quando sentirem dificuldades vão procurar ultrapassá-las, tendo assim o erro como principal meio de aprendizagem (que deve ser tolerado sem que haja repetições constantes deste), integrando o jogador na escolha da melhor opção, através do feedback funcional, que tenta salientar os indicadores mais pertinentes e focando o objectivo, de modo a tomar a melhor decisão, o que aumenta a motivação dos jogadores em relação ao modelo tradicional.

Outra das principais diferenças é nos sistemas dominantes na tomada de decisão, enquanto o modelo tradicional utiliza de forma predominante o sistema cognitivo, sendo que o orientado toma as decisões a partir de possibilidades de acção pré-definidas e gravadas na memória, o modelo alternativo utiliza os sistemas perceptivo, cognitivo e motor, sendo que o orientado tem que captar os indicadores mais pertinentes, criar possibilidades de acção de acordo com os indicadores captados e depois reproduzir a acção motora calibrada à tarefa.

                           


Retirado in Projecto final de licenciatura : "Estudo comparativo entre metodologias de treino no Futsal", de Manuel Antunes e João Lino, 2010

sábado, 24 de março de 2012

Entrevista 4 a Guarda-Redes : Daniela Ribeiro (Poio Pescara)

Hoje em entrevista tenho Daniela Ribeiro, jovem guarda-redes portuguesa de 23 anos, que representa actualmente o Poio Pescamar Futbol Sala (Espanha). Começou a praticar futsal no CD Baguim do Monte em 2002, tendo no seu percurso já conquistado uma taça nacional portuguesa (campeonato) ao serviço da A.R. Restauradores Avintenses. Daniela Ribeiro já representou a Selecção de Portugal por 15 vezes. ( 3 vezes Selecção Nacional A e 12 vezes Selecção Nacional Universitária)

 JL - Como surgiu a sua paixão pelo futsal e especificamente pela baliza?
 DR- A paixão pelo futsal surgiu de uma brincadeira com uma amiga minha. Num projecto que nada lhe chamariam no início mas que nos levou ao campeonato distrital de juniores onde comecei a jogar e a conhecer a beleza do futsal. A verdade é que no primeiro treino que fui começou a nascer algo que até hoje é inexplicável. No futsal fui para a baliza por acaso mas a paixão não foi por acaso que surgiu. Antes de ingressar no futsal joguei vários anos Polo-Aquático onde era guarda-redes. A baliza era também o lugar que ocupava o meu primo, com que mais me dava, que fez crescer mais e mais esta imensa paixão pela posição que ocupo.

JL - Para si qual o ponto fundamental a trabalhar, no treino específico de GR, para uma melhor evolução? Porque?
DR- Não creio que haja um ponto mais importante no treino específico de guarda-redes. Isto porque cada coisa tem de ser trabalhada no seu tempo e em relação às características de cada atleta. O que me leva a atribuir mais significância nos treinos específicos, são as situações reais de jogo. Ou seja, penso que o trabalho deve ser elaborado em função do que pode acontecer nos jogos. Ao adaptar um plano de treino, podemos trabalhar tudo mas com esse principal sentido real de jogo. Porque muitas vezes o exercício em si desvia o seu objectivo principal.

JL - Acha fundamental os GR estarem integrados sempre nas aprendizagens tácticas? Porque?
DR- Embora, em teoria, o guarda-redes seja considerado o elemento "zero" tem sido cada vez mais requisitado nos esquemas tácticos. O treino em conjunto, na minha opinião, é fundamental. É essencial pleno conhecimento tático por parte do guarda-redes, por um lado porque é o "último" jogador e como tal poderá comunicar com a restante equipa com maior facilidade, por outro, é incluído nos sistemas táticos como qualquer outro jogador.


JL - Sabendo que em Portugal o treino especifico de GR é uma realidade ainda inexistente em muitos clubes amadores, que sugestões dá aos clubes sobre o treino especifico de GR?
DR- A ausência dos treinos de GR, a meu ver, pode fazer toda a diferença num campeonato. Todos sabemos que o GR desempenha um papel único e importantíssimo em jogo e como tal dever-lhe-ia ser atribuída a mesma importância nos treinos. A aposta neste campo, no ponto de vista, só traz vantagens. A análise do atleta, das suas características, erros e pontos positivos (entre muitas outras coisas) podem ajudar na elaboração de um simples treino com objectivos e que a seu tempo trará os seus benefícios em prol da equipa.

JL - Que sugestões dá aos jovens GR que iniciam o futsal actualmente?
DR- Que lutem. Que nunca desistam, ainda que surjam adversidades. A posição que ocupamos é única e imcomparável, mas nem sempre é fácil "lutar contra a maré". Se é o que realmente gostam imponham objectivos, sejam dedicados, sejam ambiciosos e nunca pensem que já sabem tudo. Querer sempre mais, querer aprender mais, faz-nos trabalhar ainda mais e com mais vontade. É assim que encaro cada dia, com vontade de aprender e trabalhar. Treinem, joguem, e a cima de tudo divirtam-se e desfrutem da posição e da modalidade que são extraordinárias.

JL - Na sua carreira, quais sãos os seus objectivos imediatos e a longo prazo?
DR- Neste momento continuar a trabalhar para ajudar a minha actual equipa, temos um objectivo e lutamos por ele até ao fim. Objectivos imediatos são criados constantemente que é tentar ganhar cada jogo que se aproxima e querer aprender faz parte do imediato e é a isso que me agarro.
Quanto a objectivos a longo prazo, quero especializar-me em treino de GR e expandir o conhecimento a esse nível. Quero aprender mais e um dia poder ajudar o desenvolvimento do treino de GR em Portugal, se a par conseguir compatibilizar a prática desportiva, pois será perfeito!

 JL - Agradeço a disponibilidade para a entrevista, desejando as maiores felicidades tanto pessoais, como desportivas.

João Lino



sexta-feira, 16 de março de 2012

Entrevista 1 a Treinador de GR : Rafael Kiyasu (Santos FC)


Hoje em entrevista no meu blogue tenho o prazer de apresentar o treinador de Guarda-redes Rafael Kiyasu,  de 32 anos, actual treinador do  tão conhecido Santos FC (Brasil). Começou como treinador de guarda redes no AE SPY no ano de 2001, sendo que até hoje, para alem do Santos FC, já passou pelo Jabaquara AC, Clube Internacional de Regatas, SC Corinthians Paulista, conquistando mais de 10 títulos regionais, 5 campeonatos estaduais e no ultimo ano, a Liga Nacional do Brasil (2011).

JL - Como começou a sua experiência no futsal, mais propriamente no treino específico de Guarda-redes?
RK - A minha primeira experiência foi quando ainda estava no último ano do curso na Universidade Santa Cecília, na qual me estava formando em Educação física e Desporto, e recebi o convite de treinar os guarda redes da equipa de uma cidade pequena localizada na Baixada Santista chamada Itanhaém, a equipa de futsal chamava-se Associação Esportiva Spy, era treinada por Kleyton Lima, que posteriormente veio a ser o treinador de futebol da nossa selecção nacional feminina (Brasil). 
Nessa época ainda actuava como guarda redes no Santos, então fui conseguindo construir uma metodologia própria segundo as experiências que vivia nos jogos.

 JL - Quais as linhas condutoras da sua metodologia de treino? 
RK - Basicamente gosto de misturar algumas metodologias, como a cognitivista e a tecnicista, acredito que uma seja ótima para se treinar a inteligência e leitura de jogo,  a tomada de decisão,  a antecipação motora,  e a outra optimiza muito a execução dos gestos técnicos. Acredito que uma linha que saiba mesclar e utilizar os benefícios dessas duas metodologias seja de grande eficácia e garanta bons resultados tanto nas escolhas das atitudes a serem tomadas, frente aos problemas encontrados no jogo, como na perfeita execução dos gestos frente a decisão tomada no momento.
Actualmente tenho procurado cada vez mais respostas na área científica,  procurando maior controle e avaliação do treino possível, para a melhor planificação dos treinos.

  JL- Sabendo que a diversidade de material, utilizado em treino, aumenta a motivação dos guarda-redes, que materiais utiliza?
RK- As possibilidades de material são infinitas, desde bolas de ténis, borracha, balões, coletes, materiais de desvios, bolas de reacção, medicine ball, cones, marcadores, elásticos, etc. Porém devemos usar sempre o material não só como mecanismo motivacional, mas principalmente com objectivos específicos da tarefa, como mudança de atenção, concentração, reacção, propriocepção e  objectivos condicionantes, etc.
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         JL- Para si, existem diferenças entre o treino masculino e feminino? 
    RK- A meu ver existem sim, no Brasil devido  a factores culturais, as meninas começam a pratica desportiva devidamente sistematizada e planeada mais tarde, isto, faz com que a aprendizagem técnico e táctica delas comece de forma tardia, o que faz com que já iniciem a prática com vícios motores, portanto o treino delas além da aprendizagem, deve ter um alto índice de exercícios correctivos técnicos também.

      JL-  Como conhecedor do treino específico de guarda-redes em variados escalões de formação, que aspectos, dá maior importância nos escalões mais baixos? E nos escalões mais altos?
RK - Acho que os escalões baixos devem ter como prioridade o treinamento das capacidades coordenativas e cognitivas, pois são elas os fundamentos de uma boa pratica e performance no futuro. Além de todos os factores afectivos que devem ter nesses escalões, pois é de extrema importância que a pratica além de não ser massiva, seja atractiva aos menores, pois é importante que a pratica não seja imediatista  para que a criança permaneça na posição por um longo período e para isso ela deve gostar do que faz.
Já nos escalões mais altos, o treino das capacidades condicionantes passa a ser a prioridade, além dos treinos com alta complexidade cognitiva e situações de jogo adaptadas ao treino especifico.



 

    
JL - Quais as suas máximas enquanto treinador de guarda-redes? 
RK - Ser sempre honesto e verdadeiro com os guarda redes, sempre tornar o treino consciente, para que os atletas saibam o porque de cada pratica e entendam suas finalidades.

 JL - Quais os seus objectivos futuros?
RK - Actualmente estou planeando alguns cursos de formação e treino de guarda redes, quero levá-los ao máximo de lugares possíveis, distribuir e trocar  informações sobre a posição, tenho o desejo de actuar fora de meu país, organizar e planificar os treinos de guarda redes de alguma selecção nacional.

JL- Desde já agradecer a disponibilidade e simpatia pela entrevista , desejando-lhe as maiores felicidades no seu futuro pessoal e profissional. Abraço